UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL
FACED – PEAD
Curso de Pedagogia a Distância/FACED/UFRGS
Disciplina: Seminário Integrador II
Prof.ª Marie Jane Soares
Trabalho realizado em grupo pelas alunas: Anna B. Pegoraro; Claudete L. B. Pegoraro; Elaine M. C. Menger e Marli M. A. Cardoso
Escola Estadual de Ensino Fundamental Guilherme Schmitt
Três Pinheiros – Itati
INFORMANTES-CHAVE:
Informantes – chaves:
Nome completo: Pedro Osmar Schütt
Idade: 66 anos
Situação atual de vida: Professor Aposentado
Nome completo: Maria Neli do Nascimento Schütt
Idade: 62 anos
Situação atual de vida: Merendeira Aposentada e do Lar
Nome completo: Terezinha Bitencourt Eberhardt
Idade: 73 anos
Situação atual de vida: Professora Aposentada e do Lar
Nome completo: Cândida Elisabetha Martins Carvalho
Idade: 68 anos
Situação atual de vida: Professora Aposentada e do Lar
Nome completo: Paulo Renato do Nascimento
Idade: 43 anos
Situação atual de vida: Comerciante
QUESTIONAMENTOS:
1) O que explica a existência da escola?
2) Quais foram às dificuldades encontradas pelos professores e alunos?
3) Como era o perfil dos professores e alunos?
4) Quais os recursos existentes?
5) Como se dava a relação comunidade X escola?
6) Existia planejamento? Como era elaborado e desenvolvido?
7) Como era espaço fÃsico e pedagógico da escola?
8) Quais acontecimentos marcaram a vida da escola
9) Quais polÃticos que estiveram envolvidos na criação da escola (em que governo federal, estadual e municipal)?
10) Relatar os principais acontecimentos que envolveram a comunidade escolar?
Toda escola tem.
Por mais recente que seja
Ao longo de sua existência, cada um que por ela passa de alguma forma dela participa, tece sua história e com ela se forja.
Forma identidade: a própria e a da escola.
O tempo passa... Os rastros, as marcas, as lembranças, a memória, matérias-primas da história, vamos deixando de lado, esquecidas no abandono dos álbuns de retratos, dos velhos livros de matrÃculas, de atas e de pontos, nas carteiras antigas, nos relógios parados, nos troféus escondidos, nos livros mofados e canetas perdidas. E, assim, vamos perdendo a memória dessa instituição e de nós mesmos.
Afinal, quem somos?
Vamos escrever a história de nossa escola?
A memória oral é um importante recurso na reconstrução da história. Neste caso, da história da educação nesta escola.
Os depoimentos aqui apresentados integram o trabalho que as alunas do Curso de Pedagogia à Distância da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, vêm realizando, com o intuito de ampliar a divulgação de dados e informações sobre as histórias das escolas da rede pública, contribuindo assim, de maneira efetiva, para reconstruir e preservar essa memória.
Ao explicitarem suas experiências educacionais, quer seja como alunos, como educadores e/ ou funcionários dessa escola, os depoentes estão contribuindo para ampliar a memória da nossa escola. Não só os escritos nos interessam, mas também os ditos.
Os depoimentos, acerca da trajetória de vida e profissional de diversas pessoas que fizeram, ou ainda fazem, parte da história da educação, foram cuidadosamente transcritos para que não perdessem seus ritmos e entonações. Caminhos distintos, mas que guardam semelhanças em seus percursos, como por exemplo, o cotidiano na escola ou na sala de aula.
Saudosismo? Não. Memórias individuais construÃdas ao longo de vidas, que hoje se apresentam em forma de saborosos relatos, remetendo-nos a um passado não tão distante e ao mesmo tempo propiciando uma série de questionamentos pertinentes e extremamente atuais.
A memória, entendida como elemento fundamental na formação da identidade cultural individual e coletiva, na instituição de tradições e no registro de experiências significativas, deve ser valorizada e preservada. Preservar a memória cultural de uma sociedade não significa atrelá-la ao passado e impedir o seu desenvolvimento, mas sim conservar seus pilares constituintes a fim de não perder conhecimentos e identidades.
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Grupo de alunos reivindicou a construção de uma Escola na comunidade de Itati;
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1959
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Começa a Revolução Cubana, Brasil é bem sucedido nos jogos Pan Americanos.
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Negociações entre polÃticos da situação para viabilizar a construção da Escola;
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1960
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Os EUA lançam o 1º satélite meteorológico, inaguração de BrasÃlia, lançamento do 1º computador, Jânio Quadros vence as eleições p/ presidente;
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Decreto de criação da Escola; chegada dos primeiros professores;
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1961
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Agraciado com uma área de terra (um hectar), construção da Escola;
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1962
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- Brasil vence a VII Copa do Mundo, Acre torna-se um estado federativo do Brasil;
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Inauguração da Escola;
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1963
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- João Goulart passa a governar o Brasil, MaurÃcio de Souza cria a personagem Mônica, Rede Tupi realiza a 1ª transmissão em cores do Brasil, o presidente dos EUA John Kennedy é assassinado.
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Obrigatório o hasteamento da bandeira diariamente, e o uso de uniforme aos professores;
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1964
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Troca de nome da Escola em homenagem ao funcionário público Guilherme Schmitt;
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1965
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- Acontece a Guerra do Vietnã, é inagurada a Rede Globo, surge o estilo musical MPB;
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Implantou-se o Supletivo noturno;
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1966
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- Falece Venceslau Brás, presidente do Brasil, Realização da VIII Copa do Mundo na Inglaterra;
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A escola desenvolveu suas atividades normalmente.
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1967
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1968
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- Martin Luther King é assassinado, é feito o primeiro transplante do coração no Brasil, acontece pela primeira vez na América Latina os jogos OlÃmpicos, o Presidente Costa e Silva decreta o AI-5;
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1969
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O primeiro homem pisa na Lua, Pelé marca seu milésimo gol, é criado o avião Boeing 747 o maior avião comercial em operação.
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ESTE É O MEMORIAL DA ESCOLA ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL GUILHERME CHMITT localizada no distrito de Três Pinheiros, no MunicÃpio de Itati, atendendo as comunidades de Costa do Morro, Vila Nova, e Linha Bernardes.
No ano de 1959 houve muitas conquistas para os brasileiros. Em especial para um grupo de amigos. (Laudelino Brehm, Ernando do Nascimento, Lidurino Menguer, Valdemar Dicksen e outros). Moradores de Itati sabendo que o governador do Estado Leonel Brizola veraneava na praia de Capão da Canoa resolveram lhe fazer uma visita com o intuito de pedir uma escola para a comunidade onde residiam, na qual o senhor Laudelino Brehm foi o mediador.
Neste mesmo perÃodo BrasÃlia estava sendo construÃda e em 21 de abril de 1960 é inaugurada como a nova Capital de nosso paÃs.
No dia 30 de março de 1961 é decretada pela Secretaria Estadual do Rio Grande do Sul a criação da Escola Rural de Itati, localizada em Três Pinheiros. Inicialmente, a Escola funcionava no salão de baile do senhor Laudelino Menger. Tendo como diretor o professor Laertsan Tavares de Carvalho e a professora Cândida Elisabetha Martins Carvalho, casal que pela influência do Deputado Osmani Veras são transferidos de Garibaldi para esta localidade e a professora Neli Marques Ferreira.
Neste mesmo ano, o Senhor Edmar Torres e o Senhor BalduÃno José Jacoby doaram um terreno de um hectare de terra onde foi construÃda a Escola. Esta era um prédio de madeira com duas salas de aula uma secretaria e uma área coberta (a chamada Brizoleta).
Sabe-se que esta escola pode ser construÃda devido ao trabalho que, aos 36 anos de idade, o recém governador eleito, no mesmo ano, por maioria absoluta na disputa do governo do Estado do Rio Grande do Sul, realizou. Como governador, Brizola encarna o nacionalismo e trabalhismo de Vargas.
Este inaugura uma administração voltada para o atendimento prioritário aos bairros operários, a melhoria do transporte público, o saneamento e a criação de escolas estaduais. Suas qualidades de administrador, identificado com os interesses populares claramente apareceram, junto com seu talento de comunicador.
No entanto, esta escola foi construÃda no governo de Leonel Brizola, devido à carência de escolas neste estado. No mesmo estilo arquitetônico (madeira pré-montada), sabe-se que foram construÃdas 1.500 escolas estaduais.
No ano de 1961, também, aconteceu à tomada de posse do Presidente Jânio Quadros aqui no Brasil. A posse representava uma grande esperança para o povo brasileiro, pois propunha a modificação de formas antiquadas, que conduziria o nosso paÃs a uma nova face de progressos, sem inflação, em plena democracia. Embora tenha feito um governo curtÃssimo - que só durou sete meses - pôde, nesse perÃodo, traçar novos rumos à polÃtica externa e orientar, de maneira singular, os negócios internos. Após sua renúncia, João Goulart, que deveria assumir a presidência, estava em viagem diplomática na China. Militares de direita o acusavam de ser comunista e o impediram de assumir à presidência no regime presidencialista. O governador do nosso Estado, nesta época, Leonel Brizola, postou-se corajosamente a favor do cumprimento da constituição num movimento chamado "Movimento da Legalidade". O Palácio Piratini, um dos mais belos monumentos do paÃs, chegou a receber ordens para ser bombardeado, caso a resistência não cedesse. Na praça da matriz, milhares de porto-alegrenses se revezavam, movidos por sentimentos de comoção e de defesa de ideais. É feito então um acordo polÃtico e o Parlamento brasileiro cria o regime parlamentarista, sendo João Gourlart chefe de Estado.
Em maio de 1962 começa a construção da tão sonhada escola que tinha o nome de Escola Rural Isolada de Itati, começa a lecionar nesta Escola a Professora Clorecy Andrade Costa. Em agosto deste mesmo ano o professor, Pedro Osmar Schütt assume como professor regente, cargo que corresponde atualmente ao diretor de escola. Os professores Clorecy Andrade Costa e Pedro Osmar Schütt assumem as vagas deixadas pelos professores Laertsan Tavares de Carvalho e de Cândida Elisabetha Martins de Carvalho que, por não ter residência própria hospedavam-se na casa dos moradores.
Ainda no governo de Leonel Brizola no ano de 1963 e através do prefeito de Osório Coronel Azambuja e o subprefeito Querino Guazelli, ambos viabilizaram a construção da Brizoleta e consequentemente sua inauguração em agosto do mesmo ano. Presidida a cerimônia da inauguração pelo professor Pedro Osmar Schütt e o polÃtico Romildo Bolzam.
Neste mesmo perÃodo alguma coisa acontecia na educação brasileira. Pensava-se em erradicar definitivamente o analfabetismo através de um programa nacional, levando-se em conta as diferenças sociais, econômicas e culturais de cada região. A criação da Universidade de BrasÃlia, em 1961, permitiu vislumbrar uma nova proposta universitária, com o planejamento, inclusive, do fim do exame vestibular, valendo, para o ingresso na Universidade, o rendimento do aluno durante o curso de 2º grau. (ex-Colegial e atual Ensino Médio).
O perÃodo anterior, de 1946 ao princÃpio do ano de 1964, talvez tenha sido o mais fértil da história da educação brasileira. Neste perÃodo atuaram educadores que deixaram seus nomes na história da educação por suas realizações. Educadores do porte de AnÃsio Teixeira, Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Carneiro Leão, Armando Hildebrand, Pachoal Leme, Paulo Freire, Lauro de Oliveira Lima, Durmeval Trigueiro, entre outros.
O golpe militar foi deflagrado na madrugada do dia 31 de março de 1964, com a movimentação de tropas comandadas pelo general
OlÃmpio Mourão Filho, no estado de Minas Gerais, que saÃram em direção ao Rio de Janeiro. A falta de reação do governo e dos grupos que lhe davam apoio foi notável. Não se conseguiu articular uma reação dos militares legalistas. Também fracassou uma greve geral proposta pelo Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) em apoio ao governo.
João Goulart, em busca de segurança, viajou no dia 1
o de abril do Rio para BrasÃlia, onde se encontrava no momento do golpe, em seguida para Porto Alegre, onde Leonel Brizola tentava organizar a resistência, com apoio de oficiais legalistas, a exemplo do que ocorrera na Cadeia da Legalidade, em 1961. Apesar da insistência de Brizola, Jango desistiu de um confronto militar com os golpistas e seguiu para o exÃlio no Uruguai.
Na escola foi instituÃda a obrigação de hastear as bandeiras e execução do Hino Nacional todos os dias, obedecendo a posições, filas e honrarias a Pátria, a participação obrigatória ao Desfile CÃvico dia 7 de setembro, uso de uniformes, guarda-pós aos professores, proibindo a vestimenta que colocasse partes do corpo a mostra.
Depois do golpe militar de 1964 muito educadores passaram a ser perseguidos em função de posicionamentos ideológicos. Muito foram calados para sempre, alguns outros se exilaram, outros se recolheram à vida privada e outros, demitidos, trocaram de função. O Regime Militar espelhou na educação o caráter antidemocrático de sua proposta ideológica de governo: professores foram presos e demitidos; universidades foram invadidas; estudantes foram presos, feridos, nos confrontos com a polÃcia, e alguns foram mortos; os estudantes foram calados e a União Nacional dos Estudantes proibida de funcionar; o Decreto-Lei 477calou a boca de alunos e professores; o Ministro da Justiça declarou que "estudantes têm que estudar" e "não podem fazer baderna". Esta era a prática do Regime. Neste perÃodo deu-se a grande expansão das universidades no Brasil. E, para acabar com os "excedentes" (aqueles que tiravam notas suficientes, mas não conseguiam vaga para estudar), foi criado o vestibular classificatório. Para erradicar o analfabetismo foi criado o Movimento Brasileiro de Alfabetização - MOBRAL. Aproveitando-se, em sua didática, no expurgado Método Paulo Freire, o MOBRAL propunha erradicar o analfabetismo no Brasil... Não conseguiu. E entre denúncias de corrupção... Foi extinto. É no perÃodo mais cruel da ditadura militar, onde qualquer expressão popular contrária aos interesses do governo era abafada, muitas vezes pela violência fÃsica, que é instituÃda a Lei 4.024.
Devido ao fato do nome da Escola ser semelhante ao de uma outra já existente, causando confusão na entrega de correspondência entre as mesmas, no ano de 1965, houve necessidade de trocar o nome da escola, que passou a ser Escola Rural Isolada Guilherme Schmitt. Este em homenagem ao Senhor Guilherme Schmitt, funcionário público, nascido em 14 de dezembro de 1865, no ano de 1902 assumiu o cargo de Subprefeito do distrito de Itati, o qual exerceu durante 22 anos. Sendo que em 1914 assumiu também o cargo de Subdelegado de PolÃcia. Desta data em diante, administrou os dois cargos prestando relevantes serviços a comunidade. Vindo a falecer em 16 de maio de 1924, contando com 58 anos de idade.
Relata a professora Terezinha de Bittencourt Ebehardt que na época em que trabalhou na escola não dispunha de nenhum tipo de recurso. Não havia quadro-negro, as tarefas eram escritas nos cadernos dos alunos, um a um. Realizavam-se festas juninas com escolha das candidatas à rainha, com objetivo de arrecadar fundos para compra de materiais didáticos, em que o professor/diretor deslocava-se a capital do Estado para comprar livros de literatura. Com o desconto obtido das livrarias era pago as despesas com passagens.
Também os recursos vindos da comunidade foram adquiridos uma Banda-Marcial, para realização dos desfiles cÃvicos.
Alguns acontecimentos, relatados pelo diretor Pedro Osmar Schütt, sem datas precisas, fazem parte da história da Escola, como o desempenho do CÃrculo de Pais e Mestres e Comunidade construÃram um salão para realização dos eventos escolares para a manutenção da Escola. Conta dona Neli que, neste salão eram realizados bailes comunitários. Até esta data não era permitido que negros dançassem em baile de brancos. A escola muda esta história criando uma polêmica muito grande na comunidade e muitos descontentes. Em um dos eventos o Pastor Fischer conversando com o Diretor da Escola, comentou sobre a necessidade de sanitários e residência para Diretor, logo o mesmo indicou o Pastor Vilmar Keller (membro do Conselho Estadual de Educação) responsável pela distribuição de verbas para as escolas e agilizasse a situação. Através destes contatos foram disponibilizados ao C.P.M. os recursos com a finalidade de construir a residência do diretor, dois sanitários femininos e dois masculinos.
Enquanto isso, no ano de 1970, o Brasil vencia a Copa do Mundo de futebol, conquistando a posse definitiva da taça Jules Rimet. Ao mesmo tempo em que nosso paÃs compartilhava a felicidade de campeão mundial, acontecia também o fim do grupo Os Beatles.
O Professor Pedro Osmar Schütt que, desde l962 trabalhou em prol da escola sem medir esforços e com a ajuda da comunidade foi realizando além do possÃvel, colocando janelas no salão, construindo a residência do Diretor, os sanitários, refeitórios e outras dependências que necessitavam no momento.
Com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1971. A caracterÃstica mais marcante desta Lei era tentar dar a formação educacional um cunho profissionalizante. Dentro do espÃrito dos "slogans" propostos pelo governo, como "Brasil grande", "ame-o ou deixe-o", "milagre econômico", etc., planejava se fazer com que à educação contribuÃsse, de forma decisiva, para o aumento da produção brasileira. Com esta lei surge na escola o Supletivo. As aulas eram à noite dando oportunidades para aqueles que não tiveram oportunidade no tempo ideal.
Este foi um ano de perdas tanto para o cenário escolar, quanto literário. Érico Lopes VerÃssimo foi um dos escritores brasileiros mais populares do século XX. No entanto este veio falecer com um enfarte fulminante que o vitimou em 1975 impedindo-o de completar o segundo volume de sua autobiografia, Solo de Clarineta, programada para ser uma trilogia, além de um romance que se chamaria A hora do sétimo anjo.
Em 1979 a escola muda o nome de Escola Rural Guilherme Schmitt passa a ser chamada de Escola Estadual de 1º Grau Incompleto Guilherme Schmitt.
Em 1984 a direção da escola junto com José Lenor Eberhardt presidente do C.P.M. não mediram esforços para realizar mais um sonho da escola e da comunidade, uma quadra de esportes.
. A escola tinha o espaço, mas não tinha o dinheiro, então pediram doações de material e a mão de obra para a comunidade. Depois da quadra pronta por intermédio do Subprefeito Ermar Menger conseguiram a iluminação.
Ainda sob a direção do professor diretor Pedro Osmar Schütt, no ano de l985 foi implantada a 6ª série, com a influência e contatos obtidos pelo professor e Pastor Élio Müller, (lecionava um dia por semana). Esta passa a funcionar no ano seguinte, ou seja, em l986. Sendo que neste mesmo ano através de um novo processo foi aprovada a implantação da 7ª e 8ª séries que passariam a funcionar sucessivamente nos anos de l987 e l988. Com isso, o nome da escola passou a ser Escola Estadual de 1º Grau Guilherme Schmitt.
No decorrer do mês de maio de l988 o professor Pedro Osmar Schütt aposentou-se e a professora Maria de Matos Teixeira assumiu a direção da escola.
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